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quarta-feira, 9 de maio de 2012

MP denuncia 5 por acidente em bonde de Santa Teresa, no Rio



O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça, por homicídio e lesão corporal culposa, cinco funcionários da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central) responsáveis pelos serviços de circulação e chefia de manutenção dos bondes de Santa Teresa, no Centro do Rio. A denúncia foi feita na sexta-feira (4) e divulgada nesta terça-feira (8).
De acordo com o MP, eles foram apontados como responsáveis, "de forma negligente", pelo acidente com o bonde, ocorrido em 27 de agosto de 2011, que resultou em seis mortos e mais de 50 feridos.



 Foram denunciados o motorneiro Gilmar Silverio de Castro; o coordenador de manutenção e operação dos bondes, engenheiro mecânico José Valladão Duarte; o chefe de manutenção da garagem dos bondes, engenheiro Cláudio Luiz Lopes do Nascimento; e os assistentes de manutenção, os mecânicos Zenivaldo Rosa Correa e João Carlos Lopes da Silva.
Caso condenados, os denunciados poderão cumprir até dois anos de prisão.
“Os funcionários que trabalham diretamente como mecânicos e, principalmente, os seus supervisores, tinham o dever de retirar de circulação os veículos que não possuíam condições de uso, assim como de informar aos seus superiores da necessidade de equipamentos e investimentos para o regular funcionamento do serviço, fato não verificado”, diz um trecho da denúncia.
O secretário de Transportes, Júlio Lopes, responsável pela gestão e investimento nos sistemas de bondes, não recebeu nenhuma acusação. O RJTV procurou a secretaria, que não se pronunciou sobre o caso. Um outro procedimento no Ministério Público investiga a conduta do secretário Julio Lopes no acidente.
A produção do RJTV conversou por telefone com um dos cinco denunciados, que trabalha há 30 anos na empresa responsável pelo bonde. Ele se mostrou surpreso e disse não saber da denúncia do Ministério Público. Abalado, disse que se sentia injustiçado.
A Central, subordinada à Secretaria de Transportes, afirmou que respeita a decisão do Ministério Público e se coloca à disposição para o que for necessário na investigação do caso.
Como foi o acidenteDe acordo com a denúncia, feita pela titular da 5ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal, Janaína Marques Corrêa, o bonde entrou em operação por volta das 12h, sendo entregue ao motorneiro Nelson Correa da Silva, uma das vítimas fatais do acidente, que o conduziu em diversas viagens durante o período da tarde.
Às 15h, ocorreu uma batida entre o bonde e um ônibus de passageiros na Rua Joaquim Murtinho, em direção à Estação Carioca. Nelson prosseguiu com o bonde até a estação para o desembarque dos passageiros, retornando ao local da batida para a confecção do boletim de registro de acidente de trânsito (BRAT). Enquanto isso, o primeiro denunciado, o maquinista Gilmar de Castro, assumiu o veículo dirigindo-se, em tese, para a garagem dos bondes.
Durante o percurso até o Largo dos Guimarães, Gilmar passou a permitir o embarque de passageiros e a realizar o trajeto padrão de tráfego. Ele não levou o bonde para a garagem e o entregou ao condutor Nelson, próximo ao local da primeira colisão. Após a troca de condutores, em direção à Estação Carioca e pouco tempo depois de ser colocado em movimento, o sistema de freios do bonde falhou no declive da Rua Joaquim Murtinho, resultando no descarrilamento, em alta velocidade e em local de curva, até a colisão com um poste e o tombamento do veículo.

Laudo apontou falha nos freios
Laudo de Exame em Local de Acidente de Trânsito elaborado pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) apontou diversos problemas de manutenção no bonde, sem condições de segurança para os usuários. Os peritos constataram a causa determinante do acidente foi a falha no sistema de freios do bonde. Dentre os problemas constatados e relacionados à falta de manutenção, estavam a falta de procedimento de drenagem dos cilindros, o desgaste do compressor e peças remendadas de forma grosseira.
De acordo com o MP, anotações registradas no livro de manutenção da oficina de bondes demonstravam que o bonde apresentava problemas crônicos no sistema de frenagem, sendo desproporcional a frequência dos reparos realizados. Uma declaração registrada na apuração dos fatos aponta que o bonde “apresentava frequentemente problemas nas sapatas que precisavam ser trocadas com muita frequência, pois eram de má qualidade”.

Fonte: G1

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