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quarta-feira, 21 de março de 2012

Adamo GTM 1984: Quando a criatividade era o melhor da indústria nacional

Brasileiro dá nó em pingo d’água, mas não fica para trás. Quando as portas à importação estavam fechadas, muitos viram oportunidades na dificuldade de se conseguir um carro esporte. Fizeram sucesso os heróis da fibra de vidro, incomodaram as grandes marcas, mas todos competiam para o bem do mercado, mesmo diante das enormes dificuldades.

“Sempre sofremos com a mecânica fraca, porque tínhamos de usar o que havia no mercado”, conta Milton Adamo ao Portal Antigo Motors sobre como os carros de sua empresa eram construídos. A Adamo Veículos (lê-se “Adâmo”) começou em 1971, participou do Salão do Automóvel do mesmo ano, com o modelo GT, e os carros passaram a ser entregues em janeiro de 1972.

O exemplar das fotos é um GTM conversível de 1984, baseado na clássica Ferrari Mondial. “Meu pai tinha loja de novos e seminovos nas décadas de 1970 e 80, cresci admirando os carros desta época”, conta o proprietário da unidade. O veículo está justamente como o comprou há alguns anos, mas sabe que foi modificado em algumas partes, como o motor.

Originalmente todos os veículos Adamo são com mecânica Volkswagen, o GTM tem propulsor traseiro refrigerado a ar da Brasília, bem como seu chassi. “Funcionávamos mais ou menos como os encarroçadores italianos. O carro vinha praticamente montado, mexíamos pouco”, conta Milton. Mas a grande sacada estava na carroceria de fibra de vidro. “Poucos sabem, mas os melhores automóveis construídos em fibra eram os brasileiros. Muito melhores! Nossa qualidade, mão de obra e acabamento eram inigualáveis”, recorda-se.

O modelo GTM teve a versão cupê e conversível, esta fabricada de 1981 até 1991. O sucesso ultrapassou as fronteiras e chegou a ser exportado para a África do Sul, ambas as versões. O interior era preto. Painel com design próprio tinha os relógios adaptados de outros modelos, assim como o estofamento. O exemplar das fotos localizado pelo Portal Antigo Motors foi alterado com características modernas pelo proprietário anterior, o que de certa forma dialoga com o princípio esportivo do carro.

A frente bicuda era uma tendência para modelos ariscos, bem como as tomadas de ar laterais. As lanternas eram da Brasília, aqui são do Santana, enquanto os faróis são escamoteáveis e adaptados do Fiat Europa. Um item interessante e divertido que outros fora-de-série também davam ao consumidor brasileiro a sensação de modernidade.

“Logo que peguei fiquei empolgado. É um carro raro, porque quase não existem outros”, comenta o proprietário. Hoje o dirige pouco, diz que gostaria de restaurar, mas não tem como fazê-lo e está aberto a receber propostas. Sempre que pode o leva para eventos e exposições, preocupa-se em manter informação para as futuras gerações.

Os carros feitos pelos pequenos fabricantes brasileiros deram luz a um cenário triste, que mecanicamente ficou parado no tempo. Em contrapartida, nunca se viu tanta criatividade sobre rodas no país. “Era uma escola que podia continuar. Foi tudo muito violento e muito rápido”, desabafa Milton. De uma hora para outra, o governo Collor reabriu as portas para as importações de automóveis. “O Brasil realmente precisava se atualizar, mas tinha uma área produtiva nacional que foi dizimada. Nenhuma das fábricas com esse perfil resistiu. Foram descartados pessoas, projetos e dinheiro investido”, contextualiza pesquisadora do Portal Antigo Motors.

Para Milton a criatividade foi correspondente à falta de oportunidade. “Estávamos empenhados em fazer bonito, tinha mercado. Mas sem incentivo não dá para competir”. Foram ao todo cerca de 1700 automóveis fabricados pela Adamo Veículos entre os modelos GT, GTM, CR-X e AC 2000 (este comercializado apenas nos Estados Unidos e África do Sul), até o encerramento das atividades.

Agradecimentos a Milton Adamo, Luiz Cláudio Meloni e Rogério Ferraresi.

Fonte: WebMotors

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